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segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

DIAS MELHORES...

Todo início de ano, dizemos: "Ano novo, vida nova!". Este é o chavão mais comum nessa época, e junto dele vêm nossas muitas promessas que anseiam por uma vida nova e diferente da que tivemos no ano que passou: "...perder a barriga!"; "...mudar a conduta!"; "...trocar de carro!"; "...ler a Bíblia toda!"; "...estar firme na obra do Senhor!", "...orar mais!"; e por aí vai...

A expectativa do "novo" é muito boa, pois ela alimenta nossa esperança e fé. Dá um novo ar no rumo da vida... E o homem sempre ansiou por "coisas novas" em sua vida. Creio que isto é algo divino em nós, pois Deus também gosta de "coisas novas"! Na verdade, é Ele quem sempre faz "novas todas as coisas"...Foi o profeta Isaías quem assim anunciou acerca do NOVO de Deus:"Esqueçam o que se foi; não vivam no passado.Vejam, estou fazendo uma coisa nova!Ela já está surgindo! Vocês não a reconhecem?Até no deserto vou abri um caminho e riacho no ermo."

A mensagem do profeta fala da irrupção de um novo tempo, onde a dimensão do juízo acabaria, e a dimensão do perdão divino que traz salvação dominaria eternamente. É Deus rompendo o palco da história humana de maneira alvissareira: "Vejam, estou fazendo uma coisa nova!". É o Caminho da Graça de Deus sendo pavimentado na história da humanidade. É Deus boanovisando os corações e o mundo. É o rompimento do NOVO de Deus em nossas vidas...

Então... que na passagem do velho para o novo ano, tal mensagem se afirme como verdade para você... e que assim sendo; NOVA SEJA A TUA VIDA!!! Pois é tal Graça de Deus que nos faz novos para a vida. É este NOVO de Deus que faz a vida ser "re-novada"... Pois algo novo nasceu em nossos corações!!!E é toda vida transformada por tal mensagem... "que tem grande poder quanto a influenciar outros; sem falar que quem foi transformado, transforma na medida em que carrega a semente de algo novo em si mesmo".

Portanto, aos deste Caminho Novo ...

Seja 2008 um ano de vidas transformadas...

Seja 2008 um ano de transformação de realidades...

Seja 2008 um ano de contagiar o mundo com o que temos de melhor...

Seja 2008 um ano de dias melhores...

Seja 2008 um ano de se samaritanizar...

Que este seja um ANO DO SERVIR!

Seja 2008 tempo de Deus. Tempo com Deus. Tempo para Deus. E vida para todos nós.

Amém!

Feliz Ano Novo!

Chico

http://blog-caminho.blogspot.com

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Eu sei, mas não devia

Eu sei que a gente se acostuma.
Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.A gente se acostuma para poupar a vida.Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

A gente se acostuma a acostumar com gente acostumada...

Marina Colasanti (texto adaptado)

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Procura-se um Amigo


Procura-se um amigo.
Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimento, basta ter coração.
Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir o que as palavras não dizem.
Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaros, das estrelas, do sol, da lua, do canto dos ventos e das canções da brisa.
Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.
Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo.
Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão.

Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados.
Não é preciso que seja puro, nem que seja de todo impuro, mas não deve ser vulgar.
Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa.
Tem de ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo.
Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.
Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova quando chamado de amigo.
Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações da infância.

Preciso de um amigo para não enlouquecer, para contar o que vi de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.
Deve gostar de ruas desertas, de poças d´água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Preciso de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já tenho um amigo.

Preciso de um amigo para parar de chorar.
Para não viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas.
Que bata nos ombros sorrindo e chorando, mas que me chame de amigo, para que eu tenha a consciência de que ainda vivo.

Vinícius de Moraes