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segunda-feira, 9 de março de 2009

O EXILADO (DA LINDA PÁTRIA)



O EXILADO (DA LINDA PÁTRIA)

Da linda pátria estou bem longe;
Cansado estou;
Eu tenho de Jesus saudade,
Oh, quando é que eu vou?
Passarinhos, belas flores,
Querem m'encantar;
São vãos terrestres esplendores,
Mas contemplo o meu lar.

Jesus me deu a Sua promessa;
Me vem buscar;
Meu coração está com pressa,
Eu quero já voar.
Meus pecados foram muitos,
Mui culpado sou;
Porém, Seu sangue põe-me limpo;
Eu para pátria vou.

Qual filho de seu lar saudoso,
Eu quero ir;
Qual passarinho para o ninho,
Pra os braços Seus fugir;
É fiel - Sua vinda é certa,
Quando... Eu não sei.
Mas Ele manda estar alerta;
Do exílio voltarei.

Sua vinda aguardo eu cantando;
Meu lar no céu;
Seus passos hei de ouvir soando
Além do escuro véu.
Passarinhos, belas flores,
Querem m'encantar;
São vãos terrestres esplendores,
Mas contemplo o meu lar.

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Não sei como minha maninha conseguiu, mas ela cantou esse hino no culto fúnebre do meu velho e saudoso pai. Eu só chorava, e continuo chorando toda vez que o ouço. A mensagem é linda e nos fala da 'saudade' de estar com Jesus, mas não consigo me controlar, e na verdade, nem faço nenhum esforço pra isso..., deixo acontecer. Depois, é como se eu tivesse sido lavado e me sinto mais leve. Não sei explicar melhor!


domingo, 30 de dezembro de 2007

UMA ORAÇÃO PARA COMEÇAR O ANO


Pai, meu amado paizinho eterno,


Mais um ano acaba sobre minha existência no chão desta terra. E aqui estou para agradecer-Te e para pedir graça, misericórdia e proteção no resto da jornada.


Pai, os dias são maus, e eu não sou bom. Por isto, ó Pai, fortalece meu coração no Teu amor, para que a frieza dos tempos não gele o meu ser, e nem tire de mim o bom ânimo para fazer o que é bom.


Senhor da Terra e dos Céus, nós, humanos, feitos pelo Teu amor, nos afastamos de Ti, a fonte de Águas Vivas, e para nós mesmos cavamos cisternas rotas, das quais bebemos sem saber que nela há a água envenenada pela religião dos homens e por suas morais farisaicas e sem amor.


Cordeiro eterno, a Terra geme, e os dias de Tua ira se avizinham. Tem misericórdia da humanidade, e, por Tua graça eterna, dá-nos a chance de mais uma vez bradar a toda Terra o Evangelho Eterno, para que o mundo possa, quem sabe, pela primeira vez nesta geração, receber o testemunho do Evangelho de Jesus, e não o da Cristandade.


Ó Deus da Vida! Nós estamos acabando com tudo o que criaste. Perdoa-nos e abre nossos olhos, para que o mal que nós mesmos fabricamos não nos apanhe como um laço. Por Tua misericórdia, paizinho, dá mais tempo ao mundo para que se arrependa da destruição de Tuas criaturas.


Pai meu e Deus de minha vida, peço-Te pelos meus amados, pelos que gerei e pelos que me afeiçoei pela gestação de amor no útero de minha alma. Guarda-os sob Tuas asas e dá a todos eles o entendimento de Tua Graça.


Senhor, a Terra foi desviada de seu eixo, os pólos ficaram mais redondos, as geleiras estão se desfazendo, um grande iceberg maior que o estado de Santa Catarina viaja pelos mares ameaçando mexer com todo o sistema de nosso clima. Pai, eu sei que foram as nossas maquinas movidas a petróleo que fizeram isto; e sei que é o nosso modo de vida o que está nos matando; pois, como ensinaste, nossa vida é morte. Senhor, adia os dias da calamidade.


Peço pelos meus filhos e netos, rogo pelas futuras gerações, os filhos do apocalipse. Sim, peço-Te que ponhas sobre eles a marca do Cordeiro, para que não sejam confundidos nos tempos futuros, quando a marca que os homens carregarão será a do domínio "daquele" que não se põe sobre o Teu senhorio.


Pai, ergue da passividade milhares de Teus filhos, os quais, pelo cansaço, desistiram do bem, ou não crêem mais que ele possa ter seu lugar neste mundo de perversidades e egoísmo. Sim, ordena; e Teus filhos se porão de pé; à semelhança dos ossos que se tornaram um grande exército, conforme Teu profeta Ezequiel.


Oro por aqueles que ensinam aqueles que desejam crer em Ti. Ó Pai, abre-lhes os olhos, para que não mais falsifiquem a Tua Palavra em razão de ganhos e poderes. Salva-os das ambições e das ganâncias da morte e do inferno. Não deixa que com a boca cheia de Teu nome, enganada ou deliberadamente, usem Teu nome como capital de manipulação e controle de almas. Dá a cada um deles ainda a chance de se converterem à sinceridade do Evangelho eterno e simples de Jesus.


Faz cair sobre a Terra um sonho. Abre as comportas do Inconsciente Coletivo e faz toda gente sonhar, conforme a promessa feita mediante Joel. Sim, derrama Teu Espírito sobre toda carne, nesses dias de fogo, sangue, enxofre, fumaça e caos. Sim, antes que o sol escureça e as noites se pintem de sangue decorando até a lua com o encarnado das desgraças, mostra-nos o Teu favor.


Sim, Pai! Ouso pedir que dês um sonho a toda humanidade. Que teus anjos visitem os humanos, todos nós, com sonhos, conforme fizeste com os Josés, o do Egito e o pai de Jesus. Sim, um sonho, como aquele que parou a maldade de Nabucodonozor.


Pai, sem que Teu Espírito se derrame e dê a todos os homens espírito de arrependimento, nossos dias estão contados. Por Tua Graça, alonga esses dias de esperança, para que muitos creiam, e para que nossos filhos ainda tenham ar no ar, para respirar; água nos rios para beber; frutas não contaminadas nos campos para comer; e esperança no peito para viver.


Peço que Tu abençoes a todo aquele que pensar mais na vida do que nos seus próprios planos. Dá que se cumpra a Palavra de Tua promessa, de que enquanto cuidarmos do próximo, Tu cuidarás de nós.


Derruba de seus tronos os tiranos e dá-nos ainda um tempo de refrigério!


E que o espírito de engano e mentira que está na boca dos falsos profetas e falsos apóstolos, seja envergonhado, e que suas falsas promessas não se tornem à droga que tira a sensibilidade de Teu povo para o Evangelho, conforme hoje se vê.


Levanta meninos e crianças; e planta em suas boquinhas as Tuas simples e eternas palavras!


Que os tímidos tomem coragem. Que os cansados se animem e se ergam. Que os que ainda amam, não se cansem de amar. E que os que aguardam o bem não sejam comidos pelo cinismo.


Que se faça ouvir por toda a Terra o grito profético de Teus mensageiros!


Abre novas portas à Tua palavra, e, com Teu poder, concede-nos a unção que acompanhará o testemunho do Evangelho com sinais, prodígios e maravilhas da verdade, e não do engano, conforme hoje se vê.


Peço que tenhas misericórdia de minha vida e que me livres do mal, pois, são muitos os males que tentam me acometer, assim como são muitos os que hoje desejam minha morte, minha desgraça e meu silêncio. Não deixa que se satisfaçam vendo-me abatido por qualquer coisa. Tu és minha força e meu amor. Cuida de minha alma, pois em Ti eu confio.


Nele, em Quem todas as orações são respondidas,


Caio, Teu filho, e também em favor de muitos irmãos!

domingo, 16 de dezembro de 2007

METRO-ESPIRITUALIDADE



Hoje acordei taciturno.

Por seu turno, isso me fez acordar.

Acordar pra realidade de plástico, ou melhor, de silicone, que nossa sociedade insiste em viver.

Quase cantei Taiguara:

“eu desisto, não existe essa manhã que eu perseguia...um lugar que me dê trégua ou me sorria...uma gente que não viva só pra si...”

Fico triste com a mesquinhez de espírito. Com a pobreza no trato, com a falta de auto-percepção das pessoas.

Se cada um se julgasse pelo tribunal de sua própria consciência, no mínimo os acórdãos sempre seriam “carência de” humildade”, “obrigação de fazer” mais, etc. Mas...

Se enxergássemos um palmo à frente do próprio nariz, veríamos tanto! Todo um universo se descortinaria, mostrando algo a mais que nosso umbigo.

Mas, não...há sempre uma obstrução de pauta em relação aos assuntos que confrontam nossos defeitos. Sempre há um adiamento sine die das demandas cujas partes somos apenas nós mesmos.

Ninguém tem urgência em se modificar. Ninguém tem pressa em amadurecer. Ou mesmo interesse.

É uma pena que certas verdades tenham de demorar tanto para serem reconhecidas. Não há rito sumário pra desboçalização.

Cada qual com sua percepção obtusa do universo, “procurando repartir seu mundo errado”, abstendo-se de tentar olhar as coisas sob a perspectiva da eternidade.

Todo mundo com seu desfile de corpos, de posses, de cargos e de máscaras. Um baile onde estou sem ser convidado. E não pedi pra vir.

Então, será que o que nos cabe é apenas engolir nosso grito de insatisfação, aceitar nossa inexpressividade, expressar nossa resmunga e resignar-nos na nossa irresignação?

Acredito que não... Pelo menos hoje estou tentando semear.

A TV que exibe a alma das pessoas está em preto e branco. Não temos mais utopias saudáveis, ou fantasias lúdicas.

Somos uma massa disforme caminhando e cantando e seguindo a canção, miseravelmente feitos iguais pela idiotice de nossa superficialidade e invariavelmente sem braços dados. Perdemos a esperança. Perdemos a fé. Perdemos o afeto. Perdemos a nós mesmos, na plenitude da singularidade que pode nos tornar mais que apenas um só.

Nascemos pra testemunhar de Deus. Sim, testemunhar para nós mesmos e para outros.

Mas isso passa tão longe da nossa realidade... Parece...conversa-pra-boi-dormir!

Hoje eu consigo discernir a figura do homem "metro-espiritual". Sim, nos padrões de classificação de comportamento que a mídia atual nos ensina, eis que surge um novo modelo de espiritualidade. É a espiritualidade-vaidade, modelo século 2.0 / 2.1.

Esse tipo de atitude é encontrado na pessoa que tem na espiritualidade apenas mais um hobby.

A prática da espiritualidade serve apenas para alcançar o equilíbrio da alma e do corpo.

É como se Deus fosse uma extensão da academia, ou da Yoga, ou da massagem...

O homem de hoje tenta ser espiritual para si mesmo. É a religião do deus-interior. Uma espécie de budismo, só que sem a resignação.

Procura-se a absolvição de si mesmo, a libertação de todas as culpas, não através da redenção da Cruz, mas através da soltura das amarras dos próprios limites.

A meta maior é viver livre das culpas, dos “tijolos inúteis que carregamos”, como diria Al Paccino.

Sabe...um pouco de culpa pode fazer muito bem, sim senhor. Significa que ainda temos consciência. A doença está em como se trata com a ela.

A culpa deve apontar o erro e levar ao arrependimento/mudança de atitude. Tão-somente isso.

Mas não. Consciência não está na moda.

Aliás...a moda é o que há! Triste constatação que tive no Natal passado, ao ler num banner do Píer 21 que “fraternidade está na moda...doe “não-sei-o-quê”.

Hoje a piedade se confunde com o politicamente correto,

A misericórdia só existe como um complemento das virtudes que se tenta obter,

O amor ao próximo desapareceu. O próximo desapareceu!

A verdadeira compaixão, com paixão, sumiu.

Os andrajosos passam por nosso caminho e nos abstemos de ajudá-los, sob o pretexto de que "nenhum bem efetivo pode advir de uma ajuda conjuntural", parafraseando Abraham Lincoln da pior maneira possível.

Os mendigos são problema da estrutura, ora bolas!

Os pedintes são um incômodo que preferimos não ver. Que fingimos não ter.

Mas a metro-espiritualidade, a espiritualidade do conveniente está lá...

Como sepulcros caiados, freqüentamos nossa igrejas, nossas terapias de grupo e nossos analistas.

Mas o objetivo é a auto-absolvição. É a fixação na “descastração” dos conteúdos inconscientes. É Freud na pior representação.

É a psicanálise a serviço do inferno.

A desgraça existe, mas sempre está longe demais para ser sentida! Afinal, o 11 de setembro foi a uns nove mil quilômetros daqui.

O único bem que se quer fazer é aquele que fica bem na foto ou aquele que nos permite viver sempre “de bem” conosco mesmos, e assim nos estabelecermos sadicamente por sobre nossos pares.

A “cura” é tornar-se um rolo-compressor tão cheio de ética quanto de vazio. É o egoísmo em forma de auto-ajuda.

Até que o vento frio da desdita nos desminta.

Até que a noite escura desça como um véu sobre nosso céu,

Até que o diabo mostre a cara, a desgraça bata à porta.

E a doença nos coloque num cativeiro disciplinar.

Até que as finanças entrem em colapso e um abismo se abra sob nossos pés.

Até que uma bolhinha de ar entre despretensiosamente nos capilares de nosso cérebro.

Até que um ente querido faça a passagem

E um nó se ate tão forte em nossa mente que as forças se dissipem, e o simples levantar da cama seja o maior dos sacrifícios!

Nesse dia, viver "um dia após o outro" finalmente encontra seu significado em nossa existência.

Nessa hora “o valor das pequenas coisas” deixará de ser um chavão piegas Nesse minuto se reconhecerá a dádiva do “sol quente sobre nosso rosto.”

Nesse tempo, a metro-espiritualidade não nos bastará.

Nesse segundo, quando nossa mente nos engana, quando a psique nos prega peças, quando a depressão procura nos engolir...

Nesse momento, é a hora do grito de socorro, é a hora do absurdo, é a hora do improvável, é a hora da ajuda-sem-nome.

É a hora do Nome sobre todo nome.

É a hora de Deus.

Sim...aí nos lembramos dEle.

E se não formos mais burros que já temos sido, podemos perceber Sua mão nos apascentando, através do caminho, dos descaminhos, das pessoas, da vida.

Já dizia o sábio: "lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade".

Então, que um eco dessa sabedoria no ocaso de Salomão brinde nossos dias jovens...

Que Deus nos encurrale para que ele mesmo possa operar o bem em nós, no mais profundo sentido da palavra “bem”.

Que meu grito de hoje sirva para incomodar...

Que ateie fogo, muito mais que apague incêndios;

Enfim, que esse texto sirva, preventivamente, para sua reflexão.

Na esperança e na fé de ter sido compreendido ou, quem sabe, ter ajudado...apenas mais um que seja.

André Barcellos.
15/02/2007

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

O DIFÍCIL RETORNO AO ESSENCIAL


“Voltar ao primeiro amor” é o mesmo que dizer volta à “Videira Verdadeira”, retorna à seiva da Vida, volve ao lar e à intimidade do Pai, busca e fica no que um dia já foi “a melhor parte” para você.

O “primeiro amor” aniquila qualquer que seja a outra forma de amar. Quando Jesus falou isto, no Apocalipse, o que Ele via era a Igreja em Laudiceia amando a ortodoxia, a doutrina certa, e o compromisso com o que é correto.

Tudo muito bom, mas tudo muito morto!

Sim! Lindo para a religião dos fiéis contra os infiéis, mas totalmente nulo ante Aquele que não nos chamou para amar doutrinas, mas sim a Ele, e isso numa relação pessoal, ou mesmo numa relação de natureza conjugal, conforme Deus com Israel e Cristo com a Igreja. Ou seja: uma relação de amor que me põe casado com Deus em amor e verdade.

Quem perdeu o primeiro amor perdeu a paixão da fé, o surto de carinho quebrantado por Jesus, e tornou-se acostumado ao Sublime, sofrendo de cinismo sensorial, intelectual, psicológico e espiritual.

Sabe muito. Às vezes pensa que até sabe tudo. Mas doutrina não é Deus e Deus não é doutrina. Deus é amor, e o justo vive pela fé, e a fé tem que ser surto de confiança em Deus, por amor. Assim, o que é a doutrina quando o que a faz valer é a verdade do vinculo de amor por Deus?

Quando Jesus falou do “ramo” que pensa que pode existir e viver fora da Videira Verdadeira, Ele falou da presunção humana, em geral provocada pelas seguranças que a religião, a moral, a ética e filosofia, muitas vezes, supostamente concedem ao tolo que não sabe que qualquer dessas coisas não vale para Deus mais que um bolo de dejeto de vaca no curral. Aliás, qualquer dejeto vale mais para Deus do que esse “bolo” que procede da presunção da autonomia humana em relação ao amor ao Senhor e aos Seus filhos.

Ora, se Paulo disse que “sem amor nada aproveitará”, ele quis dizer exatamente o que disse. Sim, pois nada será em significado para Deus se não existir pelo amor, posto que como Deus é amor, só é de Sua essência aquilo e aquele que é em amor.

As demais coisas existem. Mas somente o que é em amor é de fato para Deus!

O amor é a única matéria que existe em qualquer construção para a eternidade!

O “ultimo amor”, segundo Jesus no Apocalipse, é feito de obras, de feitos, de atividades, de performances justas e sérias, de ortodoxia, de respeitabilidade que zela por si mesma como imagem coerente, e que diz que tudo isto é assim porque a pessoa ou a instituição representam Jesus no mundo.

É mais cômodo falar de amor do que amar, criar entidades que sirvam à comunidade do que amar a uma pessoa; é mais fácil criar o que for como obra de bondade do que ser bom e simples, sem observadores e sem testemunho a dar, mas apenas por que o amor é o fruto natural da Árvore de Vida da qual se é somente um ramo.

É mais fácil cozinhar para Jesus e limpar a casa para Ele, do que ficar quieta aos pés Dele, deixando a verdade revelar o próprio coração. Marta fugia da grande entrega. Maria descobrira que o mundo acabara depois de ela ter Visto Jesus.

Mas crer como se crê no início [como uma criança] é coisa que a nossa “maturidade” repudia. Afinal, para que descobrir, aprender sempre, sorrir de tudo o que é belo e novo, deixar-se surpreender, e entregar a vida às decisões invisíveis do Amor? Sim! Para que confiar na fidelidade invisível do amor de Deus? E por que dar valor absoluto àquilo que o mundo nem admite que seja verdade ou realidade?

É por tudo isto que é muito difícil voltar ao primeiro amor. Sim! Depois de tanta história e experiência? Depois de tanta realidade? Depois de tanto estrada fora do caminho sobremodo excelente? Sim! A gente fica cínico e curtido! A gente fica “casca grossa”, como de diz na linguagem do jiu-jítsu. Pois para cada fato novo tem-se uma história nossa. Para cada milagre a gente tem dezenas para contar. Para cada ação de Deus existem as Dele para conosco, as quais compõem o nosso livro de Atos Pessoais.

E pior: dependendo da pessoa o que nela se instala é descrença mesmo, e, assim, mantém-se na Estrada, porém fora do Caminho, aparte da Videira, fabricando amor para ela mesma nos outros, mas longe do primeiro amor em Deus.

Assim, nenhuma conversão é mais difícil do que aquela que nos leva do último amor feito de obras, ao primeiro amor feito de amor, de amor que dá fruto sem ter que fazer nada, assim como as mangueiras aqui de casa se derrama em mangas às centenas sem que isto lhes seja um esforço ou mesmo uma tarefa. Elas não se gloriam das mangas que dão.

Elas mangam porque são mangueiras. Mangar significa fazer pouco. Dizer que elas mangam é dizer que elas fazem pouco. Assim, as mangueiras mangam das obras que não são simplesmente a vagabundagem da natureza que dá o que dá apenas porque é o que é e como é.

Não caia no engano de pensar que porque você criou uma fábrica de obras isso significa que você está dando fruto para Deus.

Em Deus somente o amor dá fruto, e sem amor nada é além de obra. Obra que outros aproveitarão, mas que para você de nada aproveitarão. Jamais!

O que escrevi já basta por hoje!

Pense e ore. E o que aqui está levará você da Estrada para o Caminho sobremodo excelente.


Nele, que é amor e que só ama com amor e que só chama de verdade o que é feito de e com amor,


Caio

sábado, 17 de novembro de 2007

O CAMINHO DA GRAÇA NO HOSPITAL



Gerilson é um amazonense esguio como um índio raro; fino, discreto, voz mansa, suave, olhar meigo, atitude cavalheira, olhos escuramente iluminados, boca larga, testa forte, pele delicada, e uma paciência eficiente. Ele tem 28 anos e é o enfermeiro particular diurno de papai. Pelo nome dele dá para concluir que os pais são locais, de origem humilde, ambiente no qual é comum fazer do nome dos filhos uma combinação dos nomes dos pais. Assim, a Gerinalda e Gilson casaram e tiveram o Gerilson, por exemplo.

Aqui no Amazonas, fazer assim entre a população mais simples e nativa é mais comum que Maria.

Entretanto, ele mesmo me disse que nasceu numa família pobre. Muito pobre. E que não facultava a ele a possibilidade do estudo. Mas que ele trabalhou desde menino e se manteve estudando sempre.

Perguntei como ele acabara se envolvendo e se apaixonando por enfermagem [pois ele é pura paixão pelo que é e faz].

“Acho que já nasci enfermeiro, seu Caio!” - disse rindo como um iluminado diz da revelação que recebeu de graça, como dom.

“Como?” - quis saber; embora de algum modo meu coração soubesse que eu ouviria uma perola de confissão humana.

“Quando eu era menino, desde pequeno mesmo, eu saía pela rua catando bichinho doente. Esses que ninguém quer… Levava pra casa, limpava, tratava, curava, e soltava bom. Era gato, cachorro, passarinho, tudo. E eu dizia: O que quero é ver gente ficar curada. Mas eu não tinha como fazer os estudos. Então virei pintor. Pintava casas de 7 da manhã às 19 horas todos os dias. Pintei muita casa, seu Caio. Aí fui pintar numa firma. Trabalhei muito e me fizeram gerente. Quando eu virei gerente só trabalhava horário normal. Aí, eu disse: É a minha chance. E fiz o técnico de enfermagem. Mas já no primeiro ano me chamaram para atender assim, particular; e os enfermeiros que me chamavam eram os melhores. Então aprendi muito. Hoje já estou no 3º ano da faculdade de enfermagem. Sou muito feliz, seu Caio. Era tudo o que eu queria.”

“E se você pudesse…, você faria medicina?” - indaguei só pra ver uma coisa…

“Quem, eu? Ah! Não, seu Caio. Bom mesmo é ser enfermeiro. A gente cuida da pessoa do começo ao fim, todo dia; e quando perde, a gente sofre; mas quando ganha…; olha só: eu faço amigos pra sempre… Bom mesmo é ser enfermeiro. Médico é bom, mas pra quem gosta né? Eu gosto mesmo é de cuidar”.

Fiquei olhando pra ele emocionado, e lembrando tanta coisa.

Por exemplo:

De gente que está sempre dizendo que não faz nada porque ninguém manda, convida ou dá oportunidade; de gente que escolhe na vida por status e por comparação, e nunca por amor, paixão, ideal, fé; de gente que diz que deseja ser pastor de gente, e que assim se diz, e que não tem um pingo do carinho, do cuidado, da atenção e da vontade de se envolver que o Gerilson tem; de como ele está virando turnos e turnos, não pelo dinheiro, mas pela paixão que papai provocou nele, e nós todos uns nos outros, a ponto de ele ligar fora do plantão para a UTI para saber de mau pai, ou ligar para o médico ou para mim; assim, do nada, só pra dizer que está junto e que ele é forte.

E mais, lembrei de como a Graça na Ordem de Melquizedeque nos faz deparar com os crentes mais belos da terra; de como os irmãos se acham pelo olhar e não pelo credo, embora a fé do Gerilson seja aquela do Centurião Romano dos evangelhos; de como ele e o parceiro-chefe dele, o Hilton, são amigos; e muito mais leais e colegas do que 99% dos pastores jamais conseguem ser uns dos outros; de como ele e os demais, conosco, formamos uma igreja de harmonia e amor, todos sentindo a mesma coisa, tendo o mesmo sentimento uns para com os outros, e todos em sincronia e sinfonia na oração de amor por papai;

De como a moça que casar com aquele rapaz-homem terá tudo para ser muito feliz; exceto se competir com o dom dele; e de como a vida é surpreendente, pois, eu jamais esperaria que o amor de Deus nos provesse com tanta gente boa de Deus tão de repente, tão do nada que é Tudo -Todo Dele. Sim, fazendo provisão de gente como o Gerilson, o Hilton, o Dr. Marcel, o Dr. Javier, o Dr. Gama, o enfermeiro Daniel, a Dra. Nalia, o Dr. Risonildo, a Dra. Lélia, e o Dr. Antônio Farias; ou os santinhos de esperança e amizade como o Olavo, orando à porta; o Deusdete que sente como se papai fosse de fato o pai dele; a Iara servindo como as mulheres que serviam a Jesus com seus bens e com amor; a Ângela pronta para tudo…; o Gildo que é da casa e é irmão; o Ray que é como um filho; e os parentes, os amigos, os que telefonam o dia todo, os que escrevem às centenas, os que vão doar sangue, os que se oferecem para tudo; enfim, tudo isso; e toda essa Graça!

Mas tudo isto me foi agora provocado pela lembrança do Gerilson. E também do Hilton, que está lá agora; e que já não dorme em casa há mais de 15 dias; e que me disse que só voltará a dormir em casa depois que meu pai, tendo voltado para casa, aqui em casa já não necessite mais dele - e que acabou de me telefonar dizendo que “o velhinho guerreiro está coradinho, todo sequinho, de banho tomado, perfumado, com a barba feita, os curativos atados, e todos os parâmetros clínicos mais que estáveis, e, por isso, disse ele: “Seu Caio, durma. Amanhã cedo eu ligo pra dizer como a noite foi boa, ta?”

Que essas parábolas da vida digam alguma coisa a você, assim como a mim elas têm dito demais.

Nele, que usa a quem quer e como quer - mas sempre pelo amor,

Caio