sexta-feira, 26 de outubro de 2007

A VIRGEM BRASILEIRA



À semelhança da igreja americana. A igreja brasileira está muito longe de ser uma virgem intacta. O Brasil é curiosamente o país mais católico, mais pentecostal e mais espírita do mundo. Ao mesmo tempo, acompanhando uma tendência mundial, o número de não-religiosos aumenta a cada ano (dos míseros 0,2% em 1940 para os significativos 7,4% em 2000).

Os católicos ainda são uma maioria expressiva (bem mais de 2/3 da população), embora em acentuado declínio (de 95% para 73,6% no mesmo período acima). Porém, uma grande quantidade deles são cristãos nominais (veja Billy Graham e Dom Eugênio Sales de mãos dadas, na p. 14). Se pesquisarmos a identidade religiosa das mulheres que cometem aborto, das pessoas envolvidas com o narcotráfico, das prostitutas e dos políticos corruptos – não será novidade se quase todos se declararem de origem católica.

É quase impossível calcular o grande número de brasileiros que se dizem católicos, mas, ao mesmo tempo, acredita na reencarnação (o Instituto Datafolha afirma que são 44%), o que dificilmente aconteceria se eles conhecessem as Escrituras Sagradas e o próprio ensino da Igreja Católica. Com uma facilidade assustadora, esses cristãos batizados, mas não evangelizados, trocam a boa notícia da justificação cristã pela notícia oposta da reencarnação hinduísta, ainda que a discrepância entre uma doutrina e outra seja gigantesca. A mistura é tão grande que está se chamando de “catopírita” o católico que freqüenta um centro espírita t em certa simpatia pela reencarnação, e de “espiritólico”, o espírita que freqüenta as missas e batiza os filhos na Igreja Católica (Folha de São Paulo, “Religião”, 06/05/07, p. 9).

Embora em contínuo crescimento, principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste, o lado evangélico da igreja brasileira não tem dado o mesmo testemunho de alguns anos atrás, quando era uma igreja menor.

Temos muitas divisões, nem todas provocadas pelo zelo doutrinário ou pelo desejo honesto de sermos uma igreja de maior fervor espiritual. Por não estarmos sujeitos a uma central que controla tudo, como acontece na Igreja Católica, nossas divisões são mais visíveis, mas acentuadas e mais freqüentes. Não poucas são motivas pela vaidade humana, pela sede de poder, por questões puramente pessoais. Temos denominações históricas (luteranos, congregacionais, presbiterianos, metodistas, batistas, episcopais etc.), denominações pentecostais (Congregação Cristã no Brasil, Assembléia de Deus, Igreja Evangélica Pentecostal o Brasil para Cristo, Igreja Pentecostal Deus é Amor, Igreja do Evangelho Quadrangular etc.) e denominações neopentecostais (Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus, Igreja Renascer em Cristo etc.)

Somos presbiterianos, presbiterianos independentes, presbiterianos conservadores, presbiterianos fundamentalistas, presbiterianos renovados, presbiterianos “tolerantes” (Igreja Presbiteriana Unida) e até presbiterianos “soltos” (desligados de qualquer estrutura eclesiástica). Todas as outras denominações históricas têm fragmentações equivalentes à da presbiteriana, citada como exemplo.

Os fundadores da Igreja Universal do Reino de Deus (Edir Macedo), da Igreja Internacional da Graça de Deus (R. R. Soares) e da Igreja Cristo Vive (Miguel Ângelo) saíram todos da mesma Igreja de Nova Vida, em Botafogo, no Rio de Janeiro, RJ. Em alguns lugares, a igreja de Edir Macedo está na mesma rua e no mesmo quarteirão da igreja de seu cunhado R. R. Soares.

Quase todo dia organizamos uma nova igreja, em alguns casos sob a desculpa de fugirmos ao emaranhado das muitas denominações. Não há como negar a existência de competição entre o grupo católico e o grupo protestante e também entre uma denominação evangélica e outra. A competição acontece ainda entre igrejas da mesma denominação. Sabe-se que há igrejas que mudam certas práticas e certas convicções só para não perde membros. Estamos fazendo o que se faz no mundo dos negócios, adotando a concorrência, que, em última análise, tem muito a ver com o mundo darwiniano.

Salvo algumas exceções, a euforia está tomando o lugar da contrição. A euforia pela quantidade – os grandes ajuntamentos, as grandes colheitas, os grandes relatórios, os grandes milagres, os grandes templos e as grandes igrejas (criamos até a palavra “megaigreja”). A doença da euforia religiosa alcança até a oração (o presunçoso “eu ordeno” substitui o humilde “eu suplico”). Cantamos mais hinos retumbantes (“Vou lançar a minha rede ao mar, muitas almas vou ganhar, tantas que eu não poderei contar, almas como a areia do mar”) do que hinos de arrependimento (“Se eu não andei nos bons caminhos teus, perdão, Senhor!”).

Não temos feito a sábia distinção entre alegria e euforia. A alegria nos conduz à adoração e à gratidão. Já a euforia quase sempre descamba na soberba, além de nos tirar os pés do chão e nos desviar do alvo certo. A projeção do nome e da imagem é um mau sinal e um perigo. Outro dia o reverendo José (nome fictício) colocou um anúncio de página inteira numa revista evangélica que mencionava seis vezes o seu nome e estampava seis vezes a sua foto. Este senhor referiu-se a ele mesmo como “o homem que recebeu os nove dons espirituais”. O anúncio terminava assim: “Quem deseja visitar a Igreja do Revendo José, o endereço é...”.

Fazemos propaganda descarada de nós mesmos ou do nosso grupo. Basta abrir uma edição qualquer do órgão oficial de certa denominação neopentecostal para encontrar ali o nome e a foto de seu fundador dezenas de vezes. Quando essa revista e outras do gênero contam histórias de conversão, de curas espetaculares e de ascensão financeira, elas deixam bem claro que tais eventos se deram pro causa do programa de televisão deles ou porque a pessoa visitou a igreja deles. É puro marketing religioso, que funciona, mas que não se pode chamar de evangelização. Há poucos anos, certo pastor de uma denominação histórica anunciou que iria construir o maior templo, cuja planta havia sido elaborada pelo maior arquiteto do mundo (referia-se a Oscar Niemeyer), no melhor lugar, para o maior Deus.

Os pastores estão em crise e os rebanhos também. Em muitos casos, a figura do pastor deixa muito a desejar em várias áreas: quanto à vocação, à motivação, à vida devocional, ao caráter, ao exemplo, à autoridade, à pregação, à liderança (ora fraca demais ora dominadora demais), às relações familiares. Por causa da diminuição da qualidade pastoral quase nada mais resta daquela admiração e daquele orgulho que o rebanho tinha pelo seu pastor. Some-se a isso a influência de certas correntes que propagam a idéia de que a presença e o ministério do pastor são desnecessários. A baixa qualidade reforça a falsa idéia, e vice-versa.

Talvez o maior desafio da igreja brasileira e das igrejas de todo o mundo seja a tristemente famosa teologia da prosperidade. Usando a linguagem de Paulo poderíamos dizer que “outro evangelho” (o da prosperidade) tomou o lugar do “evangelho de Cristo” (Gl 1.6-7). Essa pregação, nascida nos Estados Unidos, não menciona o pecado, o arrependimento e o “negar-se a si mesmo” (Lc 0.23). Abaixa a altura do paradigma, aumenta a largura da porta, alarga o caminho apertado e multiplica o número de companheiros de jornada (Mt 7.13-14). É o evangelho da graça barata, que apresenta Jesus como Salvador, e nunca como Senhor, pelo menos na prática. É a versão religiosa da badalada auto-ajuda, que domina o mercado livreiro. É o evangelho da satisfação pessoal, da cura, do sucesso, de bens, de vantagens, de mansões, de casa na praia e na montanha, de carros importados, de roupas e jóias de marcas famosas. É o evangelho que excita agradavelmente e não exige nada, como explica o pesquisador George Gallup Jr. É a chamada religião à La carte.

Além daqueles que nasceram dentro da teologia da prosperidade ou a abraçaram a certa altura de sua vida cristã, outros muitos estão se interessando por ela e se comprometendo com ela sem, contudo, abandonarem suas igrejas de origem e irem para igrejas neopentecostais. A propaganda cerrada da teologia da prosperidade pela televisão, pelo rádio, pelo púlpito (vários cultos por dia), pelos jornais e revistas (um deles tem tiragem superior a 2.300.000 exemplares) está minando o povo de Deus. Há poucos dias, uma editora colocou outdoors em lugares estratégicos anunciando uma nova Bíblia de estudo com ênfase na vitória financeira. Estamos embriagados, mas certamente não é do Espírito Santo, como aconteceu com os primeiros cristãos (At 2.13), e sim pelo crescimento numérico e, em alguns casos, pelas sacolas e gazofilácios cheios de dinheiro.

Como se pode ver, a virgem brasileira não vai bem e há pouca beleza nela para ser admirada. Crescemos muito e depressa, mas “temos dois quilômetros de extensão e dois centímetros de profundidade”, como afirmou Josué Campanha, diretor da SEPAL Brasil, no encontro da organização realizado em Águas de Lindóia de 7 a 11 de maio de 2007.

Se nós não intensificarmos a evangelização, como a Igreja Católica decidiu fazer agora em maio, “o crescimento nos asfixiará e nos tornaremos uma segunda força religiosa oficial, grande, mas irrelevante, como aquela que já temos há 500 anos” (trecho da entrevista de Harold Segura, na p. 34).


Extraído da Revista Ultimato, edição julho-agosto 2007, p. 62 e 63.



quarta-feira, 24 de outubro de 2007

O COCHEIRO E SUAS ABÓBORAS

Era uma vez um cocheiro que dirigia uma carroça cheia de abóboras.

A cada solavanco da carroça, ele olhava para trás e via que as abóboras estavam todas desarrumadas.

Então ele parava, descia e colocava-as novamente no lugar. Mal reiniciava sua viagem, vinha outro solavanco e... tudo se desarrumava de novo.

Então ele começou a ficar desanimado e pensou: "jamais vou conseguir terminar minha viagem!

É impossível dirigir nesta estrada de terra, conservando as abóboras arrumadas!".

Quando estava assim pensando, passou à sua frente outra carroça cheia de abóboras e ele observou que o cocheiro seguia em frente e nem olhava para trás: as abóboras que estavam desarrumadas organizavam-se sozinhas no próximo solavanco.

Foi quando ele compreendeu que, se colocasse a carroça em movimento na direção do local onde queria chegar, os próprios solavancos da carroça fariam com que as abóboras se acomodassem em seus devidos lugares.

Assim também é a nossa vida: quando paramos demais para olhar os problemas, perdemos tempo e nos distanciamos das nossas metas.

Autor desconhecido

domingo, 21 de outubro de 2007

“TROPA DE ELITE” MUITO BURRA


O que escrevo a seguir não será entendido hoje por mais de 90% dos meus leitores. De fato alguns são leitores, mas muitos ainda são Lei-tores. Entretanto, em alguns anos todos me compreenderão. Mas o preço hoje é a solidão.

Deixando o que digo para além da dúvida para os mal intencionados:

Sou contra as drogas, mas sou mais contra ainda aos meios de seu combate e às motivações de seu combate!

Portanto, apenas suponha:

“De hoje em diante Cerveja e Vinho são drogas” — decretam as autoridades.

Até mesmo vinho de ceia; até mesmo o suco da uva! Tudo está proibido!

Tomar a ceia com vinho ou seus derivados seria crime e ilegalidade em tal caso. A ceia seria uma contravenção.

Sim! De um dia para o outro; assim como foi quando bebida alcoólica era droga nos Estados Unidos e deixou de ser com uma Canetada legal.

Por quê?

Ora, em ambos os casos, tanto para tornar crime quanto para descriminar [na época da Lei Seca], aconteceu apenas em razão da Moral das elites e que é sempre o resultado de seus interesses, sejam econômicos ou apenas uma decisão segregatória — conforme aconteceu na América.

Sim! Tais leis [tipo a Lei Seca] acontecem apenas em razão da Moral, a qual, pela legalidade, se torna mais Moral ainda, e, portanto, cada vez mais legal...

Assim, bons lobbies e uma boa dose de Moralidade elitista, e qualquer coisa desinteressante para essa Moral passa a ser ilegal e vice versa.

Afinal, sempre se substitui uma Moral por outra Moral do modo mais irracional possível.

Isto é também parte do “curso deste mundo”, conforme Paulo.

Algodão já foi a “droga das roupas” por uma convenção americana, de natureza protecionista de seu mercado; posto que, não podendo competir com o algodão indiano, declarou-o ilegal nos States; e quem o comprava ou vendia algodão ia pra cadeia como um “traficante”.

Por quê?

Ora, é que a lã americana não podia competir com os tecidos de algodão da Índia [isto no início do século passado]. Desse modo o remédio era fazer algodão ser algo ilegal.

Apenas uma Canetada e o algodão virou droga.

Apenas a título de ilustração e jamais de apologia:

Até a década de 30 era permitido fumar maconha nos Estados Unidos. Fumava-se abertamente em todas as festas da elite em Nova York [na Europa Vitoriana também; e depois... do mesmo modo até o fim da II Guerra]. Mas como nos Estados Unidos [nova potencial mundial] surgiu a discriminação aos negros, e eram eles [os negros] que plantavam a maconha no campo e vendiam aos brancos, do dia para a noite, por força da perseguição racial, a plantação passou a ser crime.

E como todo crime que só é crime se for por decreto, a tendência, em tal caso, é fazer crescer o “proibido”; então o consumo cresceu na América e no mundo...

Para se compreender minimamente o que tento aqui expressar, é importante afirmar que existe diferença entre os mandamentos da Lei de Deus e os mandamentos das leis dos homens.

O ladrão que morria ao lado de Jesus pagou legalmente pelo que seus atos mereciam, embora, pelo arrependimento, tenha ido de condenado pelos homens a perdoado por Jesus direto para o Paraíso.

No caso de tal “malfeitor”, deu-se a César o que era de César [a lei e a ordem] e deu-se a Deus o que a Deus pertencia: o homem.

No caso em questão, provavelmente o “malfeitor” pagasse por crimes mesmo [morte, roubo ou qualquer delito real contra o próximo], e não por convenções meramente circunstanciais ou fruto de caprichos de uma elite.

Entretanto, no caso do “ladrão ao lado de Jesus”, ficou estabelecida a distinção entre a Lei operando socialmente para proteger os homens daqueles que são malfeitores, e, a possibilidade de que o condenado, mesmo pagando o que deve, o pague aos homens embora já esteja perdoado pelo Pai.

A Lei de Deus não salva ninguém espiritualmente [pois, por obras da Lei ninguém é justificado diante de Deus], mas sem ela a sociedade humana entra em caos total.

Sem honra aos pais as gerações apodrecem...

Sob o homicídio toda sociedade se torna diabo...

Sob a mentira, a falsificação, o estelionato e a falsa testemunha, toda sociedade já não sabe mais nada acerca da realidade... e serve à fantasia...

Sob o adultério, a traição e o engano, toda sociedade perece no desamor familiar e estende tal desamor para o todo da vida; pois, quem não ama o seus, a quem amará?...

Sob o roubo, o furto e a corrupção, toda sociedade se torna perversa e bandida; e a nossa é a prova cabal de que sendo assim tal processo é irreversível...

Os quatro primeiros mandamentos da Lei de Deus não têm aplicabilidade social exceto numa Teocracia [o que nada tem a ver com o Reino de Deus, que no coração]; e o último, “não cobiçarás”, pode apenas ser avaliado no próprio coração do cobiçoso.

Entretanto, dos mandamentos de Deus que são leis consensuais em praticamente todas as sociedades humanas, no Brasil quase nenhum deles carrega qualquer significado Moral atual; não para a elite...

Sim! Cada mandamento foi escrito como sendo algo que não se devia fazer “contra o próximo”. Entre nós, todavia, tudo isso perdeu o sentido... O que se tem que fazer é aprender a praticar sem que se seja flagrado...

O país é vitima de um monte de leis morais re-enforçadas pelas elites [mídia e formadores de opinião] e pelo sistema político, legal e policial; e tais leis e seus executores geram os piores males da nação; males piores do que “aquilo” que pelo uso de tais leis se pretende combater.

Se alguém soma o que se perde na corrupção governamental e legal [Executivo, Legislativo e Judiciário] e mais o que se gasta na repressão aos crimes de Canetada, e que são caprichos Morais — e se a tais somas se adiciona o imponderável: a perda de milhares e milhares de vidas humanas; e mais: o decreto de morte ou semi-morte aos órfãos e parentes de tais “vitimas” — logo se vê, pela soma de tais índices, que se gasta infinitamente mais em razão deles, do que qualquer que seja o significado do mal que o objeto reprimido possa causar em si mesmo à sociedade.

O drama que o filme Tropa de Elite nos apresenta é a expressão de um espírito suicida, burro, diabolicamente imbecil, e satanicamente homicida, o qual se torna guerra de decreto, sem que a ela corresponda nenhuma causa pela qual se deva guerrear.

Durante anos importantes no desenvolvimento do atual fenômeno narrado parcialmente no filme Tropa de Elite — vi para além de qualquer dúvida que pudesse depois restar em mim, que a guerra é de Caneta, e que seu gênio é a Moral das elites hipócritas, em razão de que o que se combate só se passou a combater por um preconceito racial americano, tornado lei mundial pelo poder econômico e militar da América Pós-Guerra; e que se tornou lei a ser cumprida por todas as nações “civilizadas” da terra.

Entretanto, antes de 1930 [e alguma coisa], não era assim nem mesmo na América do Norte, tendo se tornado isso em razão da perseguição aos negros — o que, pela alienação histórica, vai se projetando de geração a geração como se fosse mandamento divino...

O filme retrata a idiotice animada pelo inferno e que entre nós se tornou um câncer com metástase no corpo inteiro.

O que se gasta de energia, sangue, vidas e dinheiro para combater aquilo que foi condenado pela lei da Canetada [bem como o dinheiro que se desvia dentro do processo e fora dele como corrupção], não vale nem de longe a guerra imbecil que se propõe combater até a morte aquilo que mata menos do que a repressão feita em nome da vida e da ordem, a qual não apenas mata muito e muito, mas corrompe ainda mais...

E quem já viveu ali..., olhando de dentro da Polícia, apalpando seus intestinos; bem como vendo a partir do Estado, compondo seus quadros de avaliação do sistema; entrando em todo o sistema prisional e fazendo relações com os apenados e suas famílias; subindo os morros e favelas, entrando nas casas dos trabalhadores bem como na dos membros do “movimento” — sim! olhando a situação por várias perspectivas, e percebendo que seus tentáculos se esticam aos mais elevados níveis de poder; e mais: sabendo da história da proibição que hoje, sem se auto-explicar, tornou-se um Axioma Legal — não se tem como não dizer: TUDO ISSO É LOUCURA!

Segundo o filme, alguém bom tem que sofrer a lavagem cerebral do ódio a fim de poder ser o substituto de alguém bom que tem que viver como mal a fim de sobreviver até achar alguém que entre no processo para substituí-lo...

E para que isto aconteça a pessoa tem que se convencer que é mais importante salvar a Polícia para coibir o uso de qualquer que seja o produto ilícito, do que perguntar se aquilo tudo faz sentido.

“Ordem dada é ordem cumprida” — repete o policial corrupto e indiferente.

Assim, o filme da moda, o Tropa de Elite, foi visto por mim num ato de contravenção, mediante uma cópia pirata, e, de tal ilícito é que me arvoro a escrever sobre a proliferação do ilícito irracional, o qual, não é Lei de Deus, e não trabalha na direção dela, pois, para que alguém não se mate por vontade própria [o que é lícito; pois, não se diz “não te suicidarás”, mas sim “não matarás”] — mata-se muito mais do que os próprios suicidas dependentes de drogas químicas conseguem se matar; fazendo “eles” assim com que o remédio para matar barata seja uma bomba atômica; que não mata a barata, mas destrói tudo à sua volta; conforme se vê na insana luta contra as “drogas escolhidas” pela elite Moral para serem as “proibidas”, embora os proibidores consumam mais que todos os outros homens aquilo por eles “proibido”; enquanto financiam e demandam a morte daqueles que são seus “fornecedores”; os quais, para continuar fornecendo o ilícito têm que se armar até os dentes a fim de enfrentar a Polícia; a qual, usa tais “atravessadores ilegais” como os sustentadores do negócio policial da corrupção, na mesma medida em que a própria Polícia também se envolve com tudo mais que diga respeito à exacerbação do processo, criando um monstro que se alimenta de sua própria morte. De modo que quanto mais mata, à semelhança de um vampiro, mais se fortalece no espírito do ódio e da morte.

Ou seja: tudo isso é o diabo!

Indagado sobre isto por fariseus contemporâneos, Jesus diria: “Vocês sempre coam o mosquito e engolem o camelo!”.

Todo esse sistema tem sua cabeça no intestino grosso de um Estado sem consciência, e que importa Dejeto Legal como ouro Moral, apenas para passar por “civilizado” ante as elites suicidas e preconceituosas da Roma Moderna: a América do Norte.

Sim! É mais ridículo do que Corintiano matando pelo resultado do jogo de seu time.

Somente os cegados pela Moral burra e pelo preconceito, não enxergam que essa guerra é de Caneta, mas que as armas são de morte. E mais: que ela jamais terá fim; e cada vez mais será a Droga maior enquanto diz nos defender das drogas.

Se o Governo Brasileiro não tiver a coragem de tomar uma posição inteligente frente ao mal maior que se cria combatendo os inegáveis males das drogas pela via de um mal maior, apenas contaremos nossa história rumo ao abismo.

Isto não é profecia, é fato!

Somente a consciência pode parar o consumo de qualquer coisa, pois, não existe Lei contra o desejo de fugir ou de morrer. E essa é a pulsão que fomenta o uso de qualquer alterador de consciência; seja o álcool, seja a maconha, seja o pó e seus derivados diabólicos, ou sejam as drogas tarja preta, igualmente danosas e viciantes.

Esta é minha opinião, já expressa outras vezes neste site. Quem não concordar espere mais dez anos e releia o que escrevo hoje; e, antes de hoje, em centenas de textos desde 1992.

Nele, em Quem julgo falar com sensatez pela Vida, e isto em um mundo caído no qual quase sempre o melhor é apenas o menos ruim,

Caio
04/10/07
Lago Norte
Brasília

sábado, 20 de outubro de 2007

ORANDO NO ESPELHO



Precisamos orar pelo país. Temos esquecido de incluir o Brasil em nossos programas de oração. Deixamos nosso povo e nossos governantes sem cobertura. Dá no que dá.


Deus fez sua parte. Somos um país “abençoado por Deus”, com imensas riquezas naturais, terras férteis, clima ameno etc. Falta orar por nosso povo e por nossos governantes.

Penso logo numa lista de pedidos.

Gostaria de poder comprar jornal numa caixa na calçada, onde coloco o dinheiro e pego o jornal, sem necessidade de vigias.

Gostaria de poder tirar uma simples cópia, sem ter de pedir ao encarregado da chave do armário do papel da copiadora.

Gostaria de não ter de trancar na gaveta, todo fim de expediente, meus papéis, réguas e canetas. Sem tranca, tudo desaparece da noite para o dia.

Gostaria de ver os gramados de Brasília sem aqueles milhares de trilhas no gramado. O povo não usa as calçadas que não coincidam com a linha reta que pretendem traçar ao seu destino.

Gostaria que meus vizinhos usassem a sua própria água para lavar o carro, e não fizessem “gatos” na água do condomínio. O mesmo para a luz, a tevê a cabo e até linhas telefônicas.

Gostaria que as pessoas fossem pontuais. Que simplesmente chegassem na hora marcada. Perderíamos menos tempo na vida, esperando por gente que acha que tem o direito de nos fazer esperar (se reclamamos, dizem: “relaxa!”).

Gostaria que todos os motoristas que encontro nas ruas tivesse carteiras legítimas e soubessem as regras de trânsito. Que a compra de carteiras, certidões, diplomas, atestados e tudo o mais não fosse algo “normal”.

Gostaria que alguém se escandalizasse quando um político entra de licença médica, como recursos “de praxe” para se afastar. Que alguém pedisse uma junta médica para verificar se ele realmente está doente.

Gostaria que o meu presidente soubesse alguma coisa do que se passa fora do seu gabinete, no país que diz governar, por exemplo. Mas ele repete que não sabia.

Gostaria que Roberto Jefferson e Fernando Collor não mais se apresentassem como “garotos-propaganda” de um partido, como se fossem referências nacionais.

Gostaria que Marta Suplicy deixasse de pensar só “naquilo”. Em especial, quando se fala de crise na aviação. “Relaxar e gozar” durante um estupro, na boca de uma ministra de Estado, só pode ser o fundo do poço moral de uma nação. Se ele não puder mais ser mudada (nem com oração), que seja retirada do cargo.

Quanta matéria de oração, para melhorar nosso país! Imagino que lhe ocorram muitas outras, leitor.

Será que Deus consegue?

Bem, a resposta encontraremos no espelho. Ao pensar nesses “pedidos de oração”, vale perguntar: é por essa imagem no espelho que estou orando? Não seria o caso de usar, então, “nós”, como fez Neemias?

Estejam, pois, atentos os teus ouvidos, e os teus olhos, abertos, para acudires à oração do teu servo, que hoje faço à tua presença, dia e noite, pelos filhos de Israel, teus servos; e faço confissão pelos pecados dos filhos de Israel, os quais têm cometido conta ti; pois eu e a casa do meu pai temos pecado. Temos procedido de todo corruptamente contra ti, não temos guardado os mandamentos, nem os estatutos, nem os juízos que ordenaste a Moisés, teu servo. (Ne 1.6-7)

Devemos orar pelo Brasil. Deus responderá se, com temor, suplicarmos por esse povo que vemos no espelho.



por Rubem Amorese
Presbítero na Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília
Extraído da revista ULTIMATO – set-out-2007


METAMORFOSE AMBULANTE

Creio que todo dom perfeito e toda boa dádiva vem de Deus, inclusive a letra dessa música cantada pela banda Capital Inicial. “Nem tudo é como você quer, nem tudo pode ser perfeito, pode ser fácil se você ver o mundo de outro jeito. Se o que era errado ficou certo, as coisas são como elas são..."

No histórico da nossa vida muitas coisas eram abomináveis aos nossos olhos, condenávamos, repudiávamos e até pregávamos defendendo as nossas teses por aí. Porém, com o passar do tempo as coisas mudaram... ou fomos nós que mudamos com o passar do tempo? Tem gente que antigamente dizia que assistir televisão era pecado, hoje não perde a novela das oito. Ouvir música secular? Nem pensar. Hoje não pára de cantar: ”Amar é um deserto e seus temores...” Beber?! Jamais! Eu não! Hoje aprecia e degusta um bom vinho, seja ele Château Margaux ou o italiano Brunello di Montalcino.

O que incomoda não é a nova forma de ver o mundo dessas pessoas, e sim, porque elas não admitem que mudaram. Pelo amor de Deus, as coisas são como elas são, o que muda são olhos de quem vê e como vê. A Bíblia diz em Tito 1:15 "Tudo é puro para os que são puros, mas para os corrompidos e incrédulos nada é puro; antes tanto a sua mente como a sua consciência estão contaminadas”. Então, temos que reconhecer essa metamorfose, assumir os novos gostos e admitir nossa nova postura com a alma pacificada.

O grande problema é que a maioria dos líderes gostam de impor os seus usos e costumes pessoais nas pessoas. O que eles acham certo é dito como permitido e o que eles acham errado é considerado pecado. E mais, se não seguir conforme manda a cartilha deles essa pessoa é considerada um criminoso. Isso é um absurdo! Por causa disso existe um número grande de cristãos frustrados nas igrejas, pessoas desiludidas e com sua alma em prantos, borbulhando como água fervendo. O apóstolo Paulo em Romanos 14:22 disse “A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus. Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova”. O farol da nossa vida não são pessoas e sim a nossa consciência que esta cativa em Cristo. “Nisto conheceremos que somos da verdade, e diante dele tranqüilizaremos o nosso coração... Amados, se o coração não nos condena, temos confiança para com Deus” I Jo 3:19-21.

Desejo que você possa enxergar a vida com os seus próprios olhos, pois eles são as janelas da sua alma e se eles forem bons, todo o seu corpo será iluminado. Não se prenda a opiniões dos outros, tenha a sua própria. “...Se não faz sentido, discorde comigo, não é nada de mais, são águas passadas escolha uma estrada e não olhe, não olhe pra trás”.

Sempre buscando metanóia na vida pela Vida.

Josué Rodrigues
Pastor da Igreja Presbiteriana Betânia - RJ
Cantor e autor da música "Carvalhos de Justiça"

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

O FORASTEIRO



Acabei de ler o livro “O Forasteiro” escrito pelo Dr. Benjamin Spadoni. Ele narra a história do seu pai, Bruno, imigrante italiano que não cria em Deus, que fugiu da perseguição política de seu país, imposta pelo, então, chefe de governo Benito Mussolini na década de 20.

No Brasil ele encontrou Jesus e o amor da sua vida, Lila, uma jovem de temperamento forte e decidida. Juntos se tornaram missionários e enfrentaram dificuldades de todos os tipos, daquelas que muitas vezes nos fazem questionar o sentido da vida, mas nunca perderam a fé no Senhor de suas vidas.

O livro foi surpresa pra mim, por dois motivos. Não esperava que o Dr. Benjamin fosse tão romântico e poético, porque a impressão que sempre guardei dele, era a de um homem sisudo e impassível. Provavelmente, resquício das minhas memórias da infância. Lembro-me que todos os meus amiguinhos dos anos 1970 – 1975 tinham verdadeiro pavor daquele olhar ríspido. Coisas de crianças! O homem é uma seda só, e da melhor!

O segundo motivo foi o modo como ele escreve..., leve, simples, claro, e que realmente cativa a gente. Eu comecei a ler o livro por volta das 8h e às 18h já tinha devorado tudo. Só parei pra almoçar! É empolgante!

Têm trechos que sensibilizei a ponto de encher os olhos d’água. Em outros, ri sozinho, como aquele em que o Reverendo Martin explode o lampião e as chamas pulam no seu traje. Ele chega a pensar se é castigo de Deus por querer exibir o lampião de última geração, ou por ter permitido o baile (dança) nas festividades do casamento do Bruno e Lila.

O livro realmente é um testemunho de fé, persistência e vitória em Jesus.

Gostei muito mesmo do livro e o recomendo!

Ah! Nada a ver com que acabei de escrever, mas só pra registrar aqui, outro dia li o livro “Confissões do Pastor” do Caio Fábio, e lá no capítulo 36, ele conta que em 1984 ele disse a um casal de amigos, Dr. Benjamin e dona Nelci, para lhe avisar, caso encontrassem no Hospital Evangélico alguma criança órfã, que era pra ele adotar. Mas ele acabou adotando uma garotinha de Niterói que a mãe tinha sumido e o pai não queria criar, e ainda tinha uma macumbeira querendo ficar com a menininha para consagrá-la aos “espíritos”. Essa garotinha é a sua filha, muito abençoada, Juliana.

RV, 10/2007

sábado, 13 de outubro de 2007

PAGAR PARA APANHAR...



Escuto o rádio no caminho para o trabalho todas as manhãs. É pouco tempo, dez minutos. Mas dá pra ouvir um pouco as notícias locais. Hoje escutei uma ocorrência policial que para mim, mostra bem o nível do desrespeito entre as pessoas.

Um cidadão pagou a sua passagem de ônibus e ficou esperando na roleta a cobradora lhe devolver vinte centavos de troco. Como ela não falava nada, ele pediu o troco. Ela disse que não tinha. Ele disse que precisava do troco, que era pouco, mas que precisava. Ela se irritou e lhe mandou caminhar, liberar a roleta. Mas ele insistiu que não podia abrir mão dos vinte centavos. A cobradora, mais que irritada, partiu pra cima do freguês, agredindo com tapas e empurrão. Segundo a notícia no rádio, o cidadão não reagiu de imediato, mas gritou para o motorista parar o ônibus, e que ia chamar a polícia. O motorista não parou e a cobradora continuou agredindo o cliente e ainda o ameaçando de morte. O cidadão começou a reagir e a coisa virou briga feia. O motorista seguiu e só parou no ponto final. Eu não entendi quem chamou a polícia, mas ela foi acionada e todos foram para a delegacia prestar depoimento.

Não sei como terminou o imbróglio, porque cheguei ao estacionamento do trabalho e não pude continuar ouvindo. Mas comecei o dia indignado! O que faz a cobradora pensar que ela tem o direito de negar o troco e ainda agredir o cliente? Sim, porque se trata de um serviço que uma empresa de transporte coletivo presta à comunidade, e não é de graça. O usuário do serviço é um cliente! E foi agredido apenas por exercer o seu direito num serviço em que ele está pagando. Na verdade, o respeito precisa existir, seja no serviço público ou no privado, porque somos nós, o povo, que pagamos de todo jeito.

Isso me faz pensar que nossas autoridades, nossos representantes, estão tão desacreditadas por não cumprirem suas promessas, e por se envolverem em tantas maracutaias e saírem ilesos de tudo, como se nada tivesse acontecido, com direito até a dança da pizza (deputada Angela Guadagnin no plenário da câmara em Brasília na absolvição da cassação do deputado João Magno-PT-MG; essa manifestação vergonhosa ficou conhecida como a Dança da Pizza, uma demonstração de escárnio com a opinião pública e certeza de impunidade dos políticos), que de repente, nós aqui, simples mortais, agimos como se as leis existissem para serem quebradas mesmo, ou que nem existem de fato. Afinal, quem tinha que ser exemplo, não o é?!

Brincadeira! Pagar para apanhar! Pagou e ainda levou de troco uma surra.

RV, 10/2007